Investigação aponta que caminhão trafegava na contramão, acima da velocidade permitida, com pneus desgastados e sem comprovação do descanso obrigatório do motorista; 16 pessoas morreram na colisão na BR-116.
Por LÉO DE TOPÓ
A Polícia Civil da Bahia concluiu o inquérito que investigou o grave acidente ocorrido no dia 31 de maio, na BR-116, em um trecho do município de Santa Terezinha, que resultou na morte de 16 pessoas e deixou outras três feridas. O caso envolveu uma colisão frontal entre uma van de passageiros e um caminhão.
De acordo com a investigação, o caminhão trafegava na contramão da rodovia no momento da batida. Com base nas provas coletadas, o motorista do veículo de carga, Tauan Felipe Reinert Carlos, de 25 anos, foi indiciado por homicídio doloso, quando há a assunção do risco de provocar a morte.
Além da invasão da pista contrária, o inquérito apontou uma série de irregularidades que teriam contribuído para a tragédia. Segundo a Polícia Civil, o motorista conduzia o caminhão acima da velocidade máxima permitida para o trecho. Os investigadores também constataram que o veículo apresentava dois pneus traseiros desgastados, comprometendo as condições de segurança.
Outro ponto destacado pelas autoridades foi a ausência de comprovação do cumprimento do período obrigatório de descanso previsto na legislação para motoristas profissionais. A medida é considerada fundamental para evitar acidentes causados por fadiga ao volante.
Durante os procedimentos realizados após o acidente, os policiais encontraram uma quantidade de maconha na mochila do suspeito. A substância foi apreendida e incluída nos elementos analisados durante a investigação.
As apurações foram conduzidas pela Delegacia Territorial de Santa Terezinha, vinculada à 4ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin), sediada em Santo Antônio de Jesus. Inicialmente, o motorista foi preso em flagrante logo após o acidente. Posteriormente, a Justiça converteu a prisão em preventiva.
O acusado chegou a permanecer custodiado em uma unidade prisional de Feira de Santana antes de ser transferido para o Conjunto Penal da Mata Escura, em Salvador, onde permanece à disposição do Poder Judiciário.
Com a conclusão do inquérito, todo o procedimento foi encaminhado ao Ministério Público da Bahia, que analisará o caso e poderá oferecer denúncia formal à Justiça.
A tragédia está entre os acidentes rodoviários mais graves registrados na Bahia nos últimos anos e reacende o debate sobre fiscalização, manutenção dos veículos de carga e o cumprimento das normas de segurança nas estradas brasileiras.