Tá na Mão - Prefeitura de Lauro de Freitas

Medida que determina o fim das apostas on-line coloca bilhões em contratos de patrocínio em risco e ameaça uma das principais fontes de receita dos clubes brasileiros

O futebol brasileiro pode enfrentar um dos maiores impactos financeiros de sua história após o governo federal anunciar, nesta sexta-feira (25), uma Medida Provisória que proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas e jogos on-line no país.

A medida prevê que os sites e aplicativos de apostas deixem de operar a partir de 6 de outubro. Com isso, contratos milionários entre clubes e casas de apostas podem ser rescindidos.

Na Série A do Campeonato Brasileiro, 14 dos 20 clubes possuem algum tipo de patrocínio de empresas de apostas, sendo que a maioria tem uma bet como patrocinadora principal. O volume financeiro envolvido ultrapassa R$ 1 bilhão por ano.

Um levantamento da consultoria Convocados citado pela imprensa aponta que as bets investiram aproximadamente R$ 1,03 bilhão nos clubes da Série A em 2025, valor equivalente a cerca de 7,2% das receitas totais dos times naquele ano.

Entre os contratos de maior valor estão acordos envolvendo Flamengo, Corinthians, São Paulo, Palmeiras, Atlético-MG, Botafogo, Fluminense, Vasco, Grêmio, Cruzeiro, Santos e Vitória. Os valores individuais chegam a dezenas e, em alguns casos, centenas de milhões de reais.

O impacto, porém, não ficaria restrito às camisas. O dinheiro das apostas também está presente em acordos comerciais, competições e naming rights. O Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil, por exemplo, possuem seus naming rights associados à Betano.

Dirigentes de clubes já manifestaram preocupação com a possibilidade de perda desses recursos. Em manifesto divulgado antes do anúncio da MP, equipes defenderam a manutenção de um mercado regulado e afirmaram que os investimentos das bets ajudam a financiar centros de treinamento, estruturas administrativas, futebol feminino e categorias de base.

O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, afirmou à CNN Brasil que o futebol brasileiro poderia perder cerca de R$ 2,5 bilhões em receitas no próximo ano caso a medida avance, uma estimativa que inclui efeitos mais amplos sobre o mercado, e não apenas os contratos de patrocínio.

Apesar do tamanho do impacto, há uma ponderação importante: os R$ 1,03 bilhão em patrocínios das bets representaram cerca de 7,2% das receitas totais da Série A em 2025. Portanto, a perda seria significativa, mas não significa que todo o faturamento do futebol brasileiro esteja ameaçado na mesma proporção.

Agora, os clubes terão de buscar novas fontes de patrocínio caso os contratos sejam efetivamente encerrados. O cenário pode abrir uma corrida por grandes anunciantes para ocupar os espaços que hoje são dominados pelas casas de apostas.

A discussão, portanto, vai além das bets: envolve o futuro do modelo de financiamento comercial do futebol brasileiro e a capacidade dos clubes de substituir, em pouco tempo, uma fonte de recursos que se tornou bilionária.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *