Atualização do IPTU em 2026 gera dúvidas entre moradores; Prefeitura orienta contribuintes a conferirem os valores e buscarem esclarecimentos.
Por LÉO DE TOPÓ
A atualização dos valores do IPTU em Lauro de Freitas em 2026 gerou repercussão e levantou questionamentos por parte de moradores, especialmente em bairros como Vilas do Atlântico e Ipitanga, onde contribuintes relataram aumentos significativos em comparação com 2025.
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Entidades comunitárias também se manifestaram publicamente. A Associação de Moradores de Vilas do Atlântico (Amova), por exemplo, divulgou nota de repúdio afirmando que os reajustes teriam variado entre 15% e 60%, classificando a medida como abusiva e acima dos índices oficiais de inflação (4,26% em 2025). A entidade pede que os cálculos sejam revistos e que qualquer correção seja limitada à inflação.
Com a polêmica, moradores da localidade convocaram uma assembleia para debater o tema nesta terça-feira, às 19h, em Vilas do Atlântico.
O que explica a mudança nos valores?
De acordo com a Secretaria Municipal da Fazenda (Sefaz), a cobrança do IPTU segue critérios previstos em lei e depende diretamente do valor venal do imóvel, que é uma estimativa técnica usada para definir a base de cálculo do imposto.
Na prática, especialistas explicam que nem sempre o reajuste acompanha apenas a inflação, porque o valor venal pode passar por atualizações cadastrais, correções de inconsistências e reavaliações que refletem:
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valorização imobiliária da região;
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mudanças estruturais no imóvel;
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ampliações e reformas;
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atualização de dados desatualizados há anos.
Ou seja: em muitos casos, não se trata apenas de “reajuste”, mas de correção da base de cálculo, o que pode resultar em percentuais diferentes de imóvel para imóvel.
Por que alguns imóveis aumentaram bem mais?
Casos com aumento elevado chamaram atenção. Um morador ouvido na reportagem afirmou ter pago R$ 2.680 em 2025 e agora pagar R$ 4.248 em 2026, alta de 58,5%.
Segundo entendimento técnico, situações assim podem ocorrer quando o imóvel:
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estava com valor venal defasado;
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passou por atualização cadastral;
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tinha metragem construída divergente do cadastro;
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teve correção de enquadramento tributário.
Por isso, a orientação é que o contribuinte verifique o detalhamento do lançamento, já que, em alguns casos, o reajuste não é generalizado, mas resultado de reavaliações pontuais.
Revisão do IPTU: população pode contestar se identificar erro
Um ponto importante é que o cidadão não fica sem saída. Caso haja divergência, o contribuinte pode solicitar revisão administrativa do lançamento do IPTU, principalmente se houver:
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erro de metragem;
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erro no padrão do imóvel;
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cobrança duplicada;
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inconsistência de cadastro.
Esse tipo de contestação pode ser feito pelos canais oficiais da Secretaria da Fazenda.
Entidades apontam problemas urbanos e cobram melhorias
Além da questão do IPTU, a Associação de Amigos e Moradores de Ipitanga (AMI) afirmou em publicação que, enquanto o imposto sobe, persistem problemas como ruas esburacadas, alagamentos, abandono do Rio Sapato, além de críticas à obra da orla e à paralisação do Parque Ecológico de Ipitanga.
Por outro lado, a visão técnica sobre o tema reforça que o IPTU é um dos principais tributos municipais e é justamente a arrecadação própria que permite investimentos em:
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drenagem e pavimentação;
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limpeza urbana;
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iluminação pública;
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manutenção de equipamentos públicos;
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infraestrutura e mobilidade.
Conclusão
O debate sobre o IPTU 2026 cresce em Lauro de Freitas e deve se intensificar com as mobilizações nos bairros. Ao mesmo tempo, especialistas e órgãos oficiais reforçam que o imposto é calculado com base no valor venal do imóvel e que correções cadastrais e atualizações técnicas podem gerar variações significativas entre contribuintes.
A recomendação para os moradores é buscar informações detalhadas sobre o lançamento e, caso identifiquem inconsistências, formalizar pedido de revisão administrativa.
