Queda nas pesquisas e avanço de Flávio Bolsonaro acendem alerta no PT sobre possível perda de força no principal reduto eleitoral de Lula

 Por LÉO DE TOPÓ

A tradicional força eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Nordeste começa a dar sinais de enfraquecimento e já preocupa a cúpula do Partido dos Trabalhadores (PT) na corrida pela reeleição.

Historicamente considerado o principal reduto petista, o Nordeste garantiu vitórias expressivas ao partido nas últimas duas décadas. Desde 2006, os candidatos do PT à Presidência registraram mais de 69% dos votos válidos na região no segundo turno. O melhor desempenho foi do próprio Lula, que alcançou 77% naquele ano.

Na eleição mais recente, em 2022, Lula venceu Jair Bolsonaro com ampla vantagem no Nordeste: 69,34% contra 30,66%. Essa diferença de cerca de 12,6 milhões de votos foi decisiva para compensar derrotas em outras regiões do país.

No entanto, o cenário atual mostra uma mudança importante. Pesquisas recentes indicam queda na vantagem do petista sobre seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro. Dados do Datafolha apontam que Lula recuou de 63% das intenções de voto em dezembro para 60%, enquanto Flávio Bolsonaro cresceu de 24% para 32% no mesmo período.

Além disso, a aprovação do governo também apresentou queda. Em março de 2023, Lula tinha 53% de avaliação “ótimo” ou “bom” no Nordeste. Atualmente, esse número caiu para 41%, indicando desgaste na percepção do eleitorado da região.

Estratégia do governo

Para tentar reverter esse cenário, Lula intensificou sua presença no Nordeste. Apenas no início deste ano, o presidente realizou diversas visitas à região, incluindo agendas em cidades importantes como Salvador, onde participou da inauguração de um trecho do metrô.

A estratégia busca reforçar a conexão histórica do PT com o eleitor nordestino, especialmente por meio de obras e programas sociais, pilares que sempre sustentaram o bom desempenho do partido na região.

Desafios nos estados

O alerta no PT também envolve disputas estaduais. Na Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues aparece atrás de ACM Neto em levantamentos recentes. Já no Ceará, o cenário também é incerto: Elmano de Freitas enfrenta forte concorrência de Ciro Gomes, que lidera pesquisas.

Diante desse quadro, o ministro da Educação, Camilo Santana, chegou a ser cogitado para disputar novamente o governo do Ceará. Apesar disso, ele nega intenção de deixar o cargo e afirma manter otimismo quanto ao desempenho de Lula na região.

Cenário em aberto

Apesar da queda nas pesquisas, o Nordeste ainda representa uma base eleitoral relevante para Lula. No entanto, os números mais recentes indicam que a vantagem já não é tão confortável quanto em eleições anteriores.

Com isso, a disputa pela preferência do eleitor nordestino deve se intensificar nos próximos meses, tornando a região novamente decisiva no cenário político nacional.

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