Tá na Mão - Prefeitura de Lauro de Freitas

O brasileiro precisa perguntar: por que essa disposição para aliviar o bolso da população não apareceu com a mesma força antes?

O roteiro é conhecido na política brasileira: quando a eleição se aproxima, o governo parece descobrir que o povo está endividado, que a gasolina pesa no orçamento, que os alimentos estão caros e que milhões de brasileiros lutam para chegar ao fim do mês com algum dinheiro no bolso.

De repente, surgem medidas de apelo popular, anúncios de benefícios e iniciativas que prometem aliviar as despesas da população. O governo quer mostrar serviço, conquistar simpatia e apresentar resultados. Mas existe uma pergunta que Lula não pode simplesmente ignorar: por que o brasileiro precisa esperar a proximidade das eleições para ver tantas demonstrações de preocupação com o próprio bolso?

O trabalhador não vive de propaganda. Vive de salário. Paga aluguel, alimentação, energia, transporte e impostos durante os 365 dias do ano. Não pode esperar o calendário eleitoral para que suas dificuldades ganhem prioridade no Palácio do Planalto.

Se o governo tem condições de adotar medidas para aliviar despesas, estimular o consumo e oferecer benefícios, precisa explicar por que essas iniciativas não produziram efeitos mais amplos e duradouros ao longo do mandato.

O problema não é beneficiar o povo. O problema é fazer o eleitor desconfiar de que o povo só virou prioridade porque seu voto passou a valer ouro.

Lula tem experiência política suficiente para saber que medidas populares podem melhorar a imagem de um governo. E é justamente por isso que esses anúncios precisam ser examinados com rigor. Não basta divulgar números, explorar manchetes favoráveis e apresentar cada iniciativa como uma grande conquista. É necessário demonstrar o impacto real na vida de quem trabalha, paga impostos e enfrenta dificuldades para manter a própria família.

O governo quer os créditos pelos benefícios? Então também precisa assumir a responsabilidade pelos problemas que persistiram durante sua gestão. Não é aceitável reivindicar todos os méritos quando há uma medida positiva e tratar as dificuldades da população como se fossem responsabilidade de terceiros.

E há outra questão: benefício anunciado não é necessariamente benefício recebido. Promessa não é dinheiro na conta. Redução divulgada não significa, automaticamente, economia efetiva para todas as famílias. O eleitor precisa separar propaganda de resultado concreto.

Não há como afirmar, sem provas, que todas essas medidas foram planejadas para comprar votos ou que poderiam ter sido adotadas anteriormente nas mesmas condições. Mas é perfeitamente legítimo questionar o momento dos anúncios e cobrar transparência sobre suas motivações, seus custos e seus resultados.

Lula não pode querer ser tratado como salvador da pátria por medidas anunciadas na reta final de uma eleição sem prestar contas do conjunto de sua administração.

O Brasil não é um palanque permanente. O dinheiro público não é propriedade de partido, presidente ou campanha. E o cidadão não deve ser tratado como plateia de um espetáculo político no qual os benefícios ganham destaque justamente quando os votos estão em disputa.

Se as medidas são realmente boas para o país, que sejam defendidas pelos seus resultados. Se funcionam, que seus efeitos sejam duradouros. E se poderiam ter melhorado a vida dos brasileiros antes, que o governo explique por que isso não aconteceu com a mesma intensidade.

O eleitor não deve se deixar levar apenas pelo anúncio da semana. Precisa olhar para o preço da comida, o poder de compra do salário, o endividamento familiar, a qualidade dos serviços públicos e a situação das contas do país.

Na eleição, Lula pode apresentar seus argumentos. Mas os brasileiros também têm o direito de cobrar, comparar e desconfiar.

O povo não precisa de um presidente que pareça se lembrar de suas dificuldades quando a eleição se aproxima. Precisa de um presidente que demonstre preocupação com elas do primeiro ao último dia do mandato.

Porque, quando a urna fecha, o supermercado continua aberto, as contas continuam vencendo e o trabalhador continua precisando sobreviver.

E nenhuma campanha publicitária consegue apagar essa realidade.

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