Entrada na política pode transformar a relação do escritor com parte de seu público e colocar em xeque sua imagem construída ao longo de décadas
Augusto Cury entrou na disputa presidencial de 2026 levando para a política o nome de um dos escritores brasileiros mais conhecidos. Mas, depois das eleições, uma pergunta poderá permanecer: até que ponto a exposição política afetará a relação do autor com seus próprios leitores?
Cury declarou que não pretende apoiar nem Lula nem Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. A posição foi reafirmada publicamente durante a campanha.
O problema é que livros e política ocupam espaços muito diferentes. Durante anos, Cury construiu sua imagem em torno de temas como comportamento, emoções, sonhos e relações humanas. Agora, seu nome está diretamente associado à disputa pelo Palácio do Planalto.
E isso pode ter consequências comerciais.
Parte dos leitores pode separar completamente o escritor do candidato. Outros, porém, podem passar a enxergar seus livros sob a ótica das posições políticas assumidas durante a campanha.
Não existe, neste momento, evidência de que seus leitores estejam abandonando seus livros. Cury continua sendo um autor de enorme alcance comercial, com mais de 20 milhões de exemplares vendidos, segundo levantamento publicado pela Folha.
Mas a eleição pode deixar uma marca permanente em sua trajetória.
A grande questão será saber se, depois de 2026, o leitor continuará procurando apenas o escritor Augusto Cury ou se passará a enxergar, antes de tudo, o candidato Augusto Cury.
Na política, a exposição tem um preço. E, para Cury, esse preço poderá aparecer não apenas nas urnas, mas também nas livrarias.