taxa das blusinhas

Lula zerou apenas o imposto federal sobre compras internacionais de até US$ 50, enquanto ICMS estadual continua pesando no bolso do consumidor

 Por LÉO DE TOPÓ

O anúncio do fim da chamada “taxa das blusinhas” feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva provocou repercussão imediata nas redes sociais, mas especialistas e críticos do governo afirmam que a medida está longe de representar o fim real da tributação sobre compras internacionais.

Isso porque o governo federal decidiu zerar apenas o imposto de importação de 20% aplicado sobre compras de até US$ 50. O ICMS estadual, que varia entre 17% e 20% na maior parte do país, continuará sendo cobrado normalmente dos consumidores.

Na prática, brasileiros seguirão pagando imposto sobre produtos comprados em plataformas internacionais como Shopee, Shein e AliExpress.

A diferença é que o governo agora tenta vender a ideia de “fim da taxação” justamente em um ano eleitoral, o que levou opositores a classificarem a decisão como uma estratégia política para reduzir o desgaste causado pela enorme rejeição popular da medida.

Durante meses, consumidores reclamaram do aumento dos preços, das cobranças extras e da dificuldade para comprar produtos baratos do exterior. A chamada “taxa das blusinhas” virou símbolo da insatisfação popular nas redes sociais e passou a atingir diretamente a imagem do governo entre jovens, pequenos empreendedores e famílias de baixa renda.

Agora, ao anunciar o fim parcial da cobrança, críticos afirmam que o governo tenta transformar uma redução limitada em uma grande vitória política.

Para opositores, o problema central continua existindo: o consumidor ainda pagará imposto. O ICMS estadual permanece ativo, incidindo sobre as compras internacionais e mantendo o encarecimento dos produtos.

“A população foi penalizada durante meses e agora o governo tenta vender um alívio parcial como se fosse o fim completo da taxação”, criticam adversários da medida.

Outro ponto questionado é o timing político da decisão. Se o governo realmente considerava a cobrança injusta ou prejudicial ao consumidor, por que não eliminou a taxa antes? Para críticos, a resposta está na proximidade das eleições e na tentativa de recuperar popularidade após forte desgaste nas redes sociais.

A medida também reacende o debate sobre o peso dos impostos no Brasil e sobre o uso de decisões econômicas como ferramenta de estratégia eleitoral. Enquanto o governo busca apresentar a redução como benefício à população, opositores afirmam que o anúncio não passa de uma manobra para suavizar os impactos negativos de uma política que atingiu diretamente o bolso dos brasileiros.

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