Última no Brasil no Fundamental e lanterna do Nordeste no Ensino Médio: dados do IDEB expõem a gravidade da crise na educação pública baiana.
Os novos dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) de 2025, divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), revelam um cenário estarrecedor e profundamente lamentável para a rede pública de ensino da Bahia. Em um momento em que a educação deveria ser o principal motor de transformação social e desenvolvimento econômico, os indicadores colocam o estado em uma situação crítica no panorama educacional brasileiro.
Queda livre nos anos finais do Ensino Fundamental
O dado mais alarmante e triste refere-se aos anos finais do Ensino Fundamental (do 6º ao 9º ano). Enquanto a maioria dos estados brasileiros apresentou avanços ou estabilidade, a Bahia fez o caminho inverso: o índice estadual recuou de 4,0 em 2023 para 3,9 em 2025.
Junto ao Amazonas, a Bahia foi um dos raros estados a registrar queda na nota nessa etapa crucial de formação dos estudantes. Como consequência direta desse retrocesso, o estado assumiu, de forma isolada, a última colocação em todo o Brasil no ranking dos anos finais do Ensino Fundamental.
Para efeito de comparação, a distância entre a Bahia e os estados líderes do ranking reflete um abismo pedagógico:
- Paraná: 5,8
- Ceará: 5,7
- Goiás: 5,7
- Espírito Santo: 5,5
- …
- Bahia: 3,9 (última posição nacional)
Estagnação na lanterna do Nordeste no Ensino Médio
No Ensino Médio, o quadro de estagnação é igualmente preocupante. Apesar de registrar uma leve oscilação positiva — subindo timidamente de 3,7 para 3,8 —, a Bahia permanece figurando entre os piores desempenhos do país, ocupando a incômoda 22ª posição nacional.
Regionalmente, a situação é ainda mais dolorosa para a população baiana. O estado amarga a pior nota de todo o Nordeste no Ensino Médio, figurando empatado com o Maranhão (3,8) e ficando atrás de todos os demais vizinhos nordestinos:
- Piauí: 4,9
- Pernambuco: 4,7
- Ceará: 4,5
- Alagoas: 4,2
- Paraíba: 4,1
- Sergipe: 4,1
- Rio Grande do Norte: 3,9
- Maranhão: 3,8
- Bahia: 3,8
O custo do prejuízo social
Por trás desses números frios, o que se enxerga é o comprometimento do futuro de centenas de milhares de jovens baianos. A incapacidade da rede de assegurar o aprendizado adequado em matemática, leitura e interpretação de texto reflete diretamente na baixa competitividade dos estudantes para o mercado de trabalho e para o ingresso no ensino superior.
A discrepância torna-se ainda mais dolorosa quando observados os exemplos de estados vizinhos da própria região Nordeste, como Ceará, Piauí e Pernambuco, que provaram que, com gestão eficiente, investimentos direcionados e valorização pedagógica, é possível colher resultados expressivos na educação pública.
A realidade apresentada pelo IDEB 2025 serve como um duro golpe e um urgente pedido de socorro para a educação pública da Bahia. Sem reformas estruturais profundas, acompanhamento pedagógico rígido e políticas públicas efetivas, a juventude baiana continuará pagando a conta da ineficiência educacional.