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Governador admite que “o quadro não está fácil”, enquanto pesquisa aponta disputa apertada pelo Governo da Bahia

A eleição de 2026 começa a apresentar um cenário incômodo para o grupo político liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Bahia. Embora Lula continue aparecendo com ampla vantagem na disputa presidencial no estado, o desempenho do governador Jerônimo Rodrigues coloca em xeque a força eleitoral do grupo petista para a sucessão estadual.

O próprio Jerônimo reconheceu o momento de dificuldade. Durante um evento em Salvador, na quarta-feira (2), o governador afirmou: “O quadro não está fácil para nós. Não existe eleição ganha antes da hora. Nós não podemos brincar.” Ele também citou desafios entre jovens, evangélicos e empresários.

ACM Neto encosta e deixa disputa imprevisível

A preocupação ganhou força após a divulgação da pesquisa AtlasIntel/A TARDE. No principal cenário de primeiro turno, ACM Neto aparece com 49,1%, enquanto Jerônimo registra 47,9%. Apesar da vantagem numérica do ex-prefeito de Salvador, os dois estão tecnicamente empatados devido à margem de erro de dois pontos percentuais.

No segundo turno, o cenário também é de equilíbrio: 49,2% para ACM Neto contra 48,6% para Jerônimo.

O levantamento ouviu 1.804 eleitores baianos entre 28 de agosto e 2 de setembro e tem margem de erro de dois pontos percentuais.
O problema para Lula

É justamente aí que surge uma questão estratégica para o PT: Lula está muito mais forte eleitoralmente na Bahia do que Jerônimo.

Na mesma pesquisa, Lula aparece com 52,8% das intenções de voto no primeiro turno, contra 24,4% de Flávio Bolsonaro. Em eventual segundo turno, Lula chega a 58,1% contra 29% de Flávio.

Isso cria um cenário perigoso para o grupo governista: o eleitor pode votar em Lula para presidente e, ao mesmo tempo, escolher outro candidato para governador.
Ou seja, a força histórica de Lula na Bahia não necessariamente garante uma transferência automática de votos para Jerônimo.

Desgaste estadual pode contaminar disputa nacional

Jerônimo tenta transformar a eleição estadual em uma defesa do projeto político iniciado por Lula e mantido pelo PT na Bahia. O próprio governador pediu mobilização da militância para garantir a continuidade desse projeto.

Mas existe um risco: quanto mais a campanha presidencial e a campanha estadual forem apresentadas como uma única escolha, mais o eventual desgaste do governo estadual poderá ser explorado pelos adversários de Lula.

A oposição pode tentar construir a narrativa de que o eleitor baiano tem a oportunidade de manter Lula em Brasília, mas mudar o comando do Palácio de Ondina.

A eleição que parecia tranquila agora exige atenção

O cenário também representa uma mudança em relação às reeleições anteriores de governadores petistas. Jerônimo chega à reta final antes do primeiro turno em uma disputa muito mais apertada do que aquela enfrentada por Jaques Wagner e Rui Costa quando buscaram a permanência no cargo.

A pesquisa mostra ainda que 44% dos entrevistados classificam o governo Jerônimo como bom ou ótimo, enquanto 42% avaliam a gestão como ruim ou péssima, um quadro praticamente dividido dentro da margem de erro.

O alerta está dado

A pergunta que começa a ganhar espaço nos bastidores da política baiana é simples:
Se Jerônimo não conseguir melhorar sua situação eleitoral, até que ponto isso poderá atingir Lula na Bahia?

Por enquanto, os números mostram que Lula continua favorito no estado, mas Jerônimo enfrenta uma disputa aberta contra ACM Neto.

E, em uma eleição tão apertada, o maior adversário do PT pode não ser apenas a oposição.

Pode ser o próprio desgaste acumulado pelo governo estadual.

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