Manutenção de duas candidaturas no campo da direita acende alerta nos bastidores de Brasília e pode abrir caminho para a continuidade de Davi Alcolumbre no comando do Senado Federal.
A disputa pela Presidência do Senado Federal, marcada para 1º de fevereiro de 2027, começa a ganhar contornos de uma queda de braço dentro do próprio campo da oposição. De um lado, o senador Rogério Marinho (PL-RN), oficialmente lançado pelo Partido Liberal como candidato ao comando da Casa. Do outro, a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que também mantém seu projeto de chegar à presidência e afirma querer se tornar a primeira mulher a ocupar o cargo.
O problema é que a permanência dos dois nomes na disputa pode acabar produzindo um resultado contrário aos interesses de parte da oposição: favorecer a reeleição do atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Divisão interna pode beneficiar Alcolumbre
A preocupação é que a disputa entre Tereza Cristina e Rogério Marinho divida os votos dos parlamentares que defendem uma mudança no comando do Senado.
Enquanto Marinho conta com o apoio oficial do PL, que terá uma bancada de 29 senadores na próxima legislatura, Tereza tenta construir uma candidatura com maior trânsito entre setores do Centrão e parlamentares de diferentes partidos.
Essa estratégia pode ampliar suas possibilidades de articulação, mas também cria um cenário de incerteza para a oposição. Caso os dois mantenham suas candidaturas até o momento da votação, Alcolumbre poderá encontrar um caminho mais confortável para reunir os votos necessários à sua recondução.
Tereza Cristina pode tirar votos de Rogério Marinho
Um dos pontos que mais chamam atenção é a própria declaração da senadora sobre a transferência de votos. Tereza Cristina afirmou que, caso Rogério Marinho retire sua candidatura, acredita que poderá receber muitos dos votos dele. Entretanto, reconheceu que, se ela desistir, não tem certeza de que todos os seus apoiadores migrariam automaticamente para o senador do PL.
Essa diferença de avaliação é importante porque demonstra que a transferência de apoio não está garantida. Em uma eleição decidida pelos votos dos próprios senadores, qualquer divisão pode ter consequências importantes.
Alcolumbre pode receber a presidência de bandeja?
Davi Alcolumbre trabalha para permanecer no comando da Casa e conta com articulações políticas que ultrapassam os limites da oposição. A federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, já manifestou apoio à sua recondução, embora a posição tenha provocado desconforto entre integrantes do próprio PP.
Nesse cenário, a manutenção de duas candidaturas no campo oposicionista pode representar uma vantagem para Alcolumbre, que não precisaria necessariamente conquistar novos apoios em grande quantidade caso seus adversários não consigam unificar forças. A votação é secreta e exige pelo menos 41 votos para uma vitória no primeiro turno.
A direita precisa resolver seu próprio impasse
A questão central não é impedir que Tereza Cristina dispute a Presidência do Senado. A senadora tem legitimidade para apresentar seu nome e buscar apoio entre os colegas. O desafio é entender o custo político de uma disputa interna prolongada.
Se a prioridade de Rogério Marinho e Tereza Cristina é impedir a continuidade de Alcolumbre, será necessário transformar as articulações em uma candidatura unificada e capaz de reunir os votos da oposição e de outros setores do Senado. Caso contrário, o que poderia ser uma disputa pela mudança no comando da Casa poderá terminar com a continuidade do atual presidente.
A pergunta que fica nos bastidores de Brasília é: a disputa pelo protagonismo dentro da oposição vai falar mais alto do que a tentativa de conquistar a Presidência do Senado?