Após quase quatro anos de governo, Jerônimo Rodrigues ainda não entregou a ponte Salvador-Itaparica e tampouco cumpriu a promessa de renovar a frota de ferryboats da travessia
Mais um feriadão de 7 de Setembro chega à Bahia e, mais uma vez, quem precisa fazer a travessia entre Salvador e a Ilha de Itaparica se depara com os velhos problemas de sempre. De um lado, uma ponte monumental prometida há anos e que continua sem sair do papel. Do outro, uma frota de ferryboats que deveria ter sido renovada, mas segue sem a solução anunciada pelo governo estadual.
A situação expõe uma das maiores contradições da gestão do governador Jerônimo Rodrigues: promessas feitas durante a campanha e ao longo do mandato continuam sem uma data concreta para serem transformadas em realidade.
Ainda em 2022, após ser eleito governador, Jerônimo prometeu a aquisição de pelo menos dois novos ferryboats para melhorar a travessia Salvador-Itaparica. Quase quatro anos depois, a promessa continua pendente.
E a resposta mais recente do governador não trouxe uma solução definitiva. Questionado durante uma sabatina nesta semana, Jerônimo falou sobre a expectativa de que uma nova embarcação possa chegar nos próximos meses, mas não apresentou um prazo claro para a entrega.
Para quem enfrenta filas, espera e transtornos durante os períodos de maior movimento, a resposta soa como mais uma promessa sem data para acabar.
A ponte que nunca chega
O problema não se resume aos ferryboats.
A Ponte Salvador-Itaparica, apresentada como um dos maiores projetos de infraestrutura da Bahia, também continua sem conclusão. A obra, que deveria representar uma transformação histórica na mobilidade e na integração entre Salvador, a Região Metropolitana, o Recôncavo e o Baixo Sul, se arrasta há anos.
Enquanto isso, a população continua dependendo praticamente das mesmas alternativas de transporte de décadas atrás.
O contraste é difícil de ignorar: um projeto bilionário anunciado como símbolo de desenvolvimento regional ainda não foi entregue, enquanto a alternativa imediata, melhorar e ampliar a frota de ferryboats, também não avançou na velocidade prometida.
Feriadão volta a colocar o problema em evidência
Os feriados prolongados costumam funcionar como um verdadeiro teste para o sistema de travessia.
Com o aumento da procura, moradores e turistas precisam enfrentar filas, horários disputados e uma estrutura que frequentemente é colocada sob pressão justamente nos períodos em que deveria estar preparada para receber uma demanda maior.
E é justamente nesse momento que a ausência de investimentos capazes de resolver definitivamente o problema volta a aparecer.
O que deveria ser uma travessia moderna e eficiente continua dependendo de uma estrutura que, para muitos baianos, parece viver permanentemente no improviso.
Quase quatro anos depois, onde estão as promessas?
A cobrança que fica para o governo Jerônimo Rodrigues é simples: onde estão os dois novos ferryboats prometidos em 2022? E quando, afinal, a população poderá utilizar a ponte Salvador-Itaparica?
Não se trata apenas de cobrar uma obra grandiosa. Trata-se de cobrar soluções concretas para um problema que afeta diariamente milhares de pessoas.
Depois de quase quatro anos de mandato, dizer que existe “expectativa” de chegada de uma embarcação, sem apresentar prazo objetivo, pouco ajuda quem precisa utilizar o sistema.
A população não vive de expectativa. Precisa de transporte funcionando.
No caso da travessia Salvador-Itaparica, o cenário é cada vez mais simbólico: nem a ponte chegou, nem os novos ferries prometidos foram entregues.
Para quem acompanha a política baiana, fica a pergunta inevitável: quantos feriadões ainda serão necessários para que essas promessas finalmente deixem o discurso e cheguem à água?