QUANTO MAIS BATEM, MAIS CRESCE
Ofensiva contra ACM Neto entra na reta final da eleição e aliados dizem que ataques podem estar produzindo efeito contrário no interior da Bahia
A ofensiva dos últimos dias contra a candidatura de ACM Neto ao Governo da Bahia ganhou um novo ingrediente: o possível efeito reverso.
Vazamentos de informações, uma suposta proposta de delação atribuída ao banqueiro Daniel Vorcaro e documentos cuja autenticidade foi questionada pelo próprio candidato colocaram a campanha no centro de uma nova turbulência política.
Neto chamou o conteúdo atribuído à suposta delação de “peça de ficção” e afirmou ser vítima de “vazamento seletivo”. Também questionou a origem e o contexto das informações divulgadas.
NO INTERIOR, A LEITURA PODE ESTAR SENDO OUTRA
Nos bastidores da oposição, lideranças afirmam que a sequência de ataques não estaria produzindo o resultado esperado em parte do interior baiano.
Segundo esses interlocutores, em vez de enfraquecer a candidatura, a ofensiva estaria alimentando uma percepção de que existe uma tentativa concentrada de desgastar Neto justamente na reta final da eleição.
É nesse cenário que uma frase passou a circular entre aliados:
“O governo sabe o tamanho da lapada.”
A afirmação, obviamente, representa uma leitura política de integrantes da oposição e não um fato comprovado.
Mas o ambiente eleitoral ajuda a explicar por que essa narrativa ganhou espaço. Pesquisas recentes apresentam uma disputa apertada, embora com resultados diferentes entre os institutos. A RealTime Big Data, por exemplo, apontou Jerônimo Rodrigues com 45% e ACM Neto com 44%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Já outro levantamento divulgado em setembro apresentou vantagem maior para Neto, mostrando 47,23% contra 35,44% de Jerônimo no cenário estimulado.
“VIROU FERMENTO”
Diante desse cenário, surgiu outra comparação entre aliados de Neto: quanto mais batem, mais ele cresce.
A expressão transformou o candidato em uma espécie de “fermento” político: a avaliação de seus aliados é que cada nova ofensiva pode acabar colocando ainda mais atenção sobre sua candidatura e mobilizando eleitores que normalmente não acompanhariam a disputa com tanta intensidade.
A oposição também trabalha com a percepção de que parte dos votos ainda pode estar em movimento e que a reta final será decisiva para consolidar os eleitores indecisos.
REDUÇÃO DE DANOS?
Nos bastidores, alguns aliados chegam a interpretar os movimentos recentes como uma tentativa de “redução de danos” diante de uma disputa que permanece aberta.
Não há, porém, evidência pública que permita afirmar que o governo tenha organizado qualquer operação com esse objetivo.
O que existe é uma guerra política cada vez mais intensa, com acusações de um lado, respostas do outro e investigações que passaram a ocupar espaço importante na campanha.
No dia 17 de setembro, por exemplo, veio a público que a Polícia Federal havia solicitado ao STF uma busca relacionada a Neto no âmbito da Operação Overclean. O pedido foi negado pelo ministro Kassio Nunes Marques, que apontou ausência de indícios diretos contra o candidato, segundo informações divulgadas pela imprensa. Neto negou envolvimento com irregularidades e voltou a acusar a existência de vazamentos seletivos.
A eleição baiana, portanto, chega à reta final com uma pergunta que ainda não tem resposta:
A ofensiva vai desgastar ACM Neto ou transformar o candidato no principal beneficiário da própria exposição?
Nos próximos dias, o eleitor terá a palavra.