Informação pode surpreender eleitores que hoje enxergam o Avante como uma alternativa política para a Presidência
Uma informação sobre as eleições de 2022 pode surpreender muitos eleitores que acompanham a atual corrida presidencial: o Avante, partido que hoje apresenta Augusto Cury como nome para a disputa presidencial, esteve oficialmente ao lado de Luiz Inácio Lula da Silva na eleição contra Jair Bolsonaro.
E o detalhe é ainda mais importante: o Avante não apareceu apenas no segundo turno. A legenda já fazia parte da coligação nacional de Lula no primeiro turno e permaneceu no campo de apoio ao petista na segunda etapa da eleição.
O registro oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é claro. Na eleição de 2022, Lula disputou a Presidência pela coligação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB, PV, Solidariedade, PSOL, Rede, PSB, Agir, Avante e Pros. Ou seja: quando Lula enfrentou Bolsonaro no segundo turno, o Avante estava do lado de Lula.
E o apoio começou antes do segundo turno
Outro episódio ajuda a entender a posição do partido naquele processo eleitoral. André Janones, então deputado federal pelo Avante, havia lançado sua própria candidatura à Presidência em 2022. Em agosto daquele ano, porém, retirou sua candidatura e declarou apoio a Lula.
Janones anunciou a decisão ao lado do próprio Lula e afirmou que suas propostas, especialmente relacionadas ao auxílio emergencial, seriam incorporadas ao programa do petista.
A partir dali, o Avante passou a fazer parte da estrutura política que apoiava a candidatura de Lula.
Quando chegou o segundo turno, a situação ficou ainda mais evidente: levantamento publicado pela CNN em outubro de 2022 registrava o Avante entre os 16 partidos que apoiavam oficialmente Lula contra Bolsonaro.
Lula venceu Bolsonaro por uma diferença apertada
O resultado daquela eleição também ajuda a dimensionar a importância política daquela disputa. Segundo o TSE, Lula terminou o segundo turno com 60.345.999 votos, equivalentes a 50,9% dos votos válidos, enquanto Bolsonaro recebeu 58.206.354 votos, ou 49,1%. A diferença foi de pouco mais de 2,1 milhões de votos.
Foi uma das eleições presidenciais mais apertadas da história recente do país. Por isso, o apoio dos partidos que estavam de cada lado da disputa ganhou enorme peso político.
Agora, o cenário é outro
O que chama atenção no episódio é a mudança do cenário político. Em 2022, o Avante estava dentro da aliança que sustentava a candidatura de Lula. Agora, o partido busca apresentar Augusto Cury como uma alternativa própria na disputa presidencial.
É justamente essa mudança que pode provocar questionamentos entre os eleitores.
Como um partido que esteve na aliança de Lula em 2022 pretende se apresentar agora como uma alternativa ao eleitorado? A pergunta ganha ainda mais força entre aqueles que não acompanharam de perto a composição das alianças daquela eleição.
O eleitor precisa conhecer o histórico
A história política de um partido não começa na eleição atual. O Avante de hoje carrega um histórico recente no qual esteve associado à candidatura de Lula e à coligação que venceu Bolsonaro em 2022. Isso não significa, por si só, que Augusto Cury tenha pessoalmente participado ou defendido aquela decisão, atribuir a ele uma posição pessoal de 2022 sem comprovação seria incorreto.
Mas existe um fato objetivo que não pode ser ignorado:
o partido que hoje está associado à candidatura presidencial de Augusto Cury esteve oficialmente ao lado de Lula na eleição de 2022.
Para o eleitor que está conhecendo agora a candidatura de Cury, essa informação pode mudar a forma de enxergar o Avante e provocar uma reflexão importante:
o partido mudou de rumo político ou está apenas apresentando uma nova estratégia para conquistar um eleitor que procura uma alternativa fora da polarização entre Lula e Bolsonaro? Essa é uma pergunta que cabe ao eleitor fazer, principalmente antes de decidir seu voto.